O Brasil Pode Maggi !

No dia 26.04.2007 O Governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, surpreendeu o mundo ao apresentar, em Washington D.C. (EUA), um quadro positivo do Estado, diferente do que era manifesto em outros tempos por Organizações Não Governamentais, e aproveitou para mandar um recado aos líderes mundiais para que, como ele, mudem suas convicções, no que se refere ao trato com o Meio-Ambiente.
A mudança já está acontecendo, seja por modismo ou fatalidade, o que não foi impulsionado pelo discurso do nosso Governador. Mas uma idéia sua em particular, naquele encontro, vem chamando atenção: a de compensação financeira pela manutenção deste ambiente, tanto que o presidente Lula abraçou-a em sua viagem à Índia na semana passada. A postura do governador deixou as Ongs, reunidas pela TNC (The Nature Conservancy), de queixo caído, porém felizes: ganharam um novo e conveniente parceiro!

No dia seguinte, já em Nova Iorque, foi a vez de uma platéia de empresários americanos e brasileiros, ladeados de seis outros governadores, ouvirem de Maggi que o Estado de Mato Grosso está de portas abertas para o crescimento, mas de forma sustentável, respeitando os limites da natureza. Foi este mesmo Blairo que disse, destemido, ao presidente do BID que é preciso rever as políticas de financiamento adotadas pela instituição, afim de que não se entrave o desenvolvimento da região, encarando a confusão colocada no começo do seu Governo, com o extinto programa BID-Pantanal.

A participação do Brasil no Fórum das Américas marcou sua ratificação ao protocolo de Kioto, contribuindo de forma significativa para a corrida contra o aquecimento Global. Na mesma ocasião o Governo de Mato Grosso demonstrou sua intenção de combater o desmatamento das florestas e diminuir as queimadas, ampliando a fiscalização e se posicionando contra a MP 2166, que vislumbra a retirada de Mato Grosso da Amazônia Legal. Foi um choque!

No que isso pode ser surpreendente? Podem perguntar – e parte da resposta está em outra pergunta: como um produtor rural, afamado mundialmente por seus feitos na área agrícola pode falar dessa maneira? O resto da resposta está em uma das frases que mais ganharam notoriedade na ocasião: “Eu mudei!” e aqui fazemos um corte para entender este posicionamento.

A família Gore, que sustentou todas suas gerações com a plantação de tabaco abandonou a única coisa que sabia fazer, que era plantar tabaco, no dia em que uma irmã (fumante) veio a falecer de câncer no pulmão. Traçando este paralelo, tem-se o contexto que fez de Blairo Maggi governante de Mato Grosso: quando quase perdeu uma das filhas, e decidiu que faria mais para causa comum.
E o que tem uma coisa a ver com a outra? Simples: O que vale mais, uma montanha de ouro ou o seu planeta? Esta pergunta fora feita pelo ex-vice presidente americano Al Gore, e a resposta está na ponta da língua de todos aqueles que entenderam a urgência do que está acontecendo ao mundo: do que adianta o dinheiro, se não tivermos um planeta!

Das nações avançadas, apenas os Estados Unidos e Austrália não assinaram o protocolo de Kioto. Hoje os americanos são um dos grandes responsáveis pela emissão de CO² na atmosfera. As empresas americanas estão sendo rejeitadas mundo afora, e a queda do dólar nos últimos 4 anos é só parte das conseqüências. Cidades autônomas, Estados independentes, a começar pela Flórida, ratificaram Kioto e deixaram o presidente Bush falando sozinho. Há uma mudança em curso!

O Banco Mundial está disposto a colaborar com este ‘Maggi Verde’, financiando estudos para a compensação financeira da manutenção ambiental, além de estar disposto a financiar alternativas que beneficiem pequemos produtores e médios empresários que atuem de acordo com a nova política ambiental adotada pelo governo mato-grossense, política esta que se destaca dos demais estados, através de sistemas de gerenciamento florestal como o SLAPR/SIMLAM. No dia 24 de maio um graduado representante do governo de Rondônia, veio a Cuiabá confessar que seu estado copiou (no bom sentido) o sistema mato-grossense, e o introduziu no projeto que fora responsável pela arrecadação de 500 milhões de dólares junto a organismos internacionais, graças à sua viabilidade técnica e eficiência.

Destaca-se aqui não apenas aparências, discursos, intenções... no dia 22 do mês passado o Governo de Mato Grosso, antes mesmo de contar com qualquer financiamento externo e, mesmo envolto à dificuldades financeiras, bateu o martelo para a aquisição de serviços de uma aeronave (Helicóptero) para que sirva à área de fiscalização ambiental do estado, dando-lhe maior mobilidade, juntamente com a segurança pública, numa demonstração clara de que não está apenas fazendo ‘pose’.

Embora tratemos desta questão específica, e sem delongas, apenas colocamos algumas peças da engrenagem que em seu conjunto forma uma dinâmica responsável por notícias positivas, como a de que Mato Grosso reduz o índice de queimadas, combate o desmatamento ilegal, pensa alternativas energéticas com matrizes renováveis, incentiva a regulamentação da dinâmica de desmate na busca de um controle eficaz... enfim, uma mudança prática, já que a filosofia em torno deste conceito está em toda a mídia, em todos os lugares, em todo o planeta, só não faz quem não quer!

Não é preciso se converter para reconhecer este avanço e não é só na área ambiental, mas se existia uma visão diferente deste Governo, certamente elas ficaram junto com os tentáculos do passado. E que esta quebra de paradigma sirva de exemplo para a condução dos caminhos de cada

Estado, cada cidade, cada bairro, cada quadrante vivo da sociedade, cada ser humano. Existe um conceito novo de gestão que o Brasil precisa perceber, conhecer e seguir.
Se Mato Grosso pode, o Brasil pode mais!


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